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Mitch Mitchell fundiu jazz ao rock com excelência  escrito em terça 18 novembro 2008 00:54

Baterista de Hendrix deixa legado tão importante quanto o do guitarrista.
Virtuosismo, criatividade e experimentação foram marcas registradas.

O ano de 2008 está sendo bastante cruel com o “bom e velho rock ‘n roll”. Tão envelhecidos quanto o clichê parecem estar os músicos desse gênero musical, talvez o mais popular do planeta. É o que mostra a (mórbida) retrospectiva de grandes talentos mortos nos últimos meses: Jimmy Carl Black, baterista e vocalista da banda de Frank Zappa; Merl Saunders, tecladista do Grateful Dead; o cantor Isaac Hayes; e o tecladista do Pink Floyd, Richard Wright. Essa semana, Mitch Mitchell, baterista da lendária The Jimi Hendrix Experience, juntou-se a eles. 

 

Egresso da escola do jazz, inspirado em seu contemporâneo Elvin Jones, seguidor de Art Blakey e Max Roach, Mitch Mitchell foi um dos maiores bateristas do rock das décadas de 60 e 70. Assim como Keith Moon (The Who), Ginger Baker (Cream) e Carl Palmer (Emerson, Lake & Palmer), Mitchell adaptou as batidas suaves do jazz em um estilo explosivo, que caracterizou o som do The Jimi Hendrix Experience ao longo de sua curta existência.

Virtuosismo e agrassividade

 

Formado em meados da década de 60, o Experience foi, junto com o Cream, o maior powertrio em atividade no rock mundial na época. Junto com o próprio Jimi Hendrix e o baixista Noel Redding, Mitchell foi responsável por uma virada na história do rock, onde virtuosismo e agressividade combinavam-se perfeitamente, fugindo da empáfia do rock progressivo — que ainda engatinhava — e do feijão-com-arroz instrumental de bandas como The Stooges e MC5.

 

Mitch Mitchell não era apenas um coadjuvante de Hendrix nos anos de atividade da banda. Sua percussão dialogava com os longos solos do guitarrista, e sua marcação era imprevisível, sempre trocando o ritmo da música numa sintonia quase perfeita com as cordas de Hendrix. No primeiro álbum da banda, de 1967, Mitchell já acelera em “Fire”, recheada de viradas e evoluções, em “Manic depression”, com uma batida complexa e firme, e apresenta sua verve jazzística em “Third stone from the sun”, uma vigorosa viagem instrumental onde seus acentos rítmicos chamam até mais atenção do que o solo melodioso e, por vezes, furioso do guitarrista.


Acusado de racismo por tocar apenas com músicos brancos, Hendrix teve que abrir mão do Experience, considerada a banda mais competente e coesa que já teve, para dar espaço aos negros Billy Cox, no baixo, e Buddy Miles, na bateria. Estava formada a Band of Gypsys. Apesar dessa e de outras contribuições que Hendrix teve ao longo de sua carreira, foi com Mitchell sua relação mais duradoura e criativa, seja nos álbuns de estúdio ou em palcos históricos como Woodstock.


Pouco prolífico depois da morte de Jimi Hendrix, Mitchell deixa um legado curto, mas fundamental para o instrumento e a história do rock. And the wind cries Mitch

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